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C de Cajuzinho-do-cerrado

"Chuva dos cajus": frutificação do cajuzinho ocorre entre outubro e novembro, época em que as chuvas voltam a cair no Cerrado


Por Dodó Ribeirana, Núcleo de Educação Socioambiental e Comunicação Científica


Fruto maduro. Imagem por Mauricio Mercadante.


O que é, o que é: um pontinho vermelho na savana?

Cajuí, caju-do-cerrado, cajueiro-do-campo, cajuzinho-do-campo, caju-de-árvore-do-cerrado. Pequenino de caber com folga na palma da mão, o cajuzinho-do-cerrado (Anacardium humile) é uma jóia da sociobiodiversidade do Cerrado brasileiro.


De baixa produção comercial, é cuidado principalmente por comunidades cerratenses que com ele fazem doces, geleias, compotas, sorvetes, cauim (uma tradicional aguardente fruto da fermentação), o consomem in natura e beneficiam-se das propriedades medicinais presentes na casca, folhas e frutos. Além, é claro, de curtirem a companhia dessa simpática planta.



Imagem por Mauricio Mercadante.



A fauna também aproveita muito sua presença, sendo os animais silvestres a principal forma de dispersão de suas sementes. O cajuzinho-do-cerrado prospera em áreas abertas, rupestres, quentes e com seca sazonal.


Uma vez encontrado um bom lugar para brotar, cresce para ser um arbusto pequeno, de até 1,5m. Suas flores são brancas, rosadas ou amareladas e nascem em cachos entre os meses de junho e novembro, com pico em agosto. São polinizadas principalmente por abelhas, e, dessa polinização, frutificam.


Arbusto onde crescem os cajuzinhos-do-cerrado. Imagem por Mauricio Mercadante.



O fruto da planta, em si, é a parte acinzentada e dura onde fica a castanha, sua semente. A parte suculenta, ácida, docinha e avermelhada, que costumamos chamar de fruta, é seu pseudofruto. Tanto o fruto quanto o pseudofruto são comestíveis, mas a castanha deve ser devidamente torrada para esse fim. Por ser rica em urushiol, um óleo corrosivo que pode causar dermatites e até problemas mais sérios de saúde, exige cuidados prévios ao consumo.


Os frutos (e pseudofrutos!) chegam entre outubro e novembro, época em que as chuvas voltam a cair no Cerrado. Por coincidirem com a frutificação do cajuzinho-do-cerrado, são conhecidas como “chuva dos cajus”.



Imagem por Mauricio Mercadante.


Apesar de estar em sintonia com as chuvas, também se sintoniza com a seca. Precisa do período de estiagem para frutificar, e se prepara bem para esse momento: seu caule subterrâneo armazena bastante água e rebrota com facilidade após queimadas.


Querido pela fauna, muito bem adaptado ao clima do Cerrado e com ampla distribuição geográfica (ocorrendo nos estados de Rondônia, Tocantins, Bahia, Piauí, Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Minas Gerais, São Paulo e Paraná), ainda assim o cajuzinho-do-cerrado está com preocupante estado de conservação.



Imagem por Mauricio Mercadante.


Assim como várias espécies do Cerrado, sofre com as queimadas desequilibradas e com o desmatamento promovidos pelo avanço desenfreado do agronegócio e mineração. Além disso, também é prejudicado pela sua extração para produção de carvão vegetal.


A atuação humana irresponsável nos biomas fez do cajuzinho-do-cerrado uma espécie ameaçada de extinção. É hora de nos ligarmos na sua importância ecológica e cultural e valorizarmos essa planta maravilhosa, os saberes que a protegem e o bioma que a acolhe.



Imagem por Mauricio Mercadante.


Referências:


Cajuzinho do Cerrado: boas práticas para o extrativismo sustentável orgânico. Ministério do Meio Ambiente. Brasília, 2017. Disponível em: <http://cutt.ly/8fXDUgG>


GONCALVES, Maria. A. B. et al. Aguardente de cajuzinho do cerrado: produção e análises físicas e químicas. Revista processos químicos, Goiânia, v. 3, n. 6, p. 31-35, jul./dez. 2009.


CARVALHO M. P.; SANTANA D. G.; RANAL M. A. Emergência de plântulas de Anacardium humile A. St.-Hil. (Anacardiaceae) avaliada por meio de amostras pequenas. Revista Brasileira de Botânica, v. 28, n. 3, p. 627-633, jul.-set. 2005.

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